Dia do Pai

O dia do Pai é sempre especial, mas ...todos os dias são dias do Pai, da Mãe, da Avó, do Avô...
Eu tive sorte, tive dois pais, o meu avô desde sempre e até aos 17 anos. E o meu Pai, duas vezes por ano durante 1 semana, até aos meus 16 anos...depois rumava Mar dentro novamente e ficava 7 a 8 meses.



do meu avô João Pinto...todas as recordações estão ainda bem presentes na minha memória...usava um boné em dias chuva e nos dias de sol...amava o seu Benfica.
Por onde passava ganhava amigos para a vida...
Com ele conheci o Zoo de Lisboa, o Aquário Vasco da Gama, Badajoz e os seus caramelos.
Sabia qual era o meu bolo favorito que levava sempre que me ia buscar  à escola.
Sabia como eu adorava as sombrinhas de chocolate e os bombons da Regina.
Ia aos jogos no Estádio da Luz e nenhum dia era igual. Divertia-me sempre com ele.
Andávamos de comboio, eléctrico, metro...Conheci as Beiras nas minhas férias grandes, a sua terra Natal...e uns bons anos mais tarde viria a morar muito perto do meu local preferido para as férias....
Era o meu melhor amigo, o meu avô, mas também o meu papá.
Quando morreu de cancro...naquela terça feira...metade da minha felicidade morreu com ele.
As suas últimas palavras antes de entrar no Bloco operatório foram "dá um beijinho às meninas"...nunca mais acordou...

do meu Pai, Manuel Patrão...quando aquele homem barbudo entrava porta dentro com brinquedos de 8 em 8 meses, eu tinha medo...e o medo só passava, quando ele aparava a barba e jogava comigo à bola. Com as pistas de carros...
Lembro-me das cartas que lhe escrevia e que ele só lia com sorte passados alguns meses, quando fossem a terra...
Ele cuidadosamente enviava cartas com postais e bonecos feitos por ele das embalagens coloridas metalizadas das bolachas das caixas de bolos sortidos da Triunfo.
Dizia que tinha saudades minhas e que gostava muito de mim.
Os anos passavam e eu não entendia porque todos os meninos tinham os pais, com empregos próximos de casa ...isso irritava-me, mas principalmente revoltava-me.
E doía bastante...se fechar os olhos consigo lembrar-me dos cheiros e da minha tristeza ao vê-lo partir
(coisa documentada pela RTP1 no documentário a Epopeia dos Bacalhaus), por mais uns meses, não havia natais, não havia aniversários...o papá está a ganhar para nós termos dinheiro para comer e tu poderes ter uma boa educação dizia a minha Mãe.
Agora que penso nisso...ainda me sinto mais revoltada, pois consigo apostar que o sr Gaspar teve o seu pai a dormir em casa todos os dias...no quentinho...são escolhas que se fazem podem dizer-me, mas ele não escolheu o corte que a muito custo ganhou na sua miséria de reforma.

Adoro-vos a ambos vivem aqui no meu coração :)


E consigo? Conte-me um pouco das suas recordações...

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