Será a sala de aula uma trincheira? | Escolinha da Mãe


Para quem não sabe a Profissão Mãe teve uma breve passagem pela Revista Mulher Africana.
Fiz algumas  peças e depois sem mais nem menos a revista fisica foi cancelada, passando a funcionar online...ainda assim mudaram a equipa.

Pior do que não sermos avisadas é fazermos entrevistas, criando expectativas em nós e nos outros...


Livro: A minha Sala de aula é uma Trincheira, 10 mitos sobre os professores
Autora: Bárbara Wong
Editora: a esfera dos Livros


Este livro de Bárbara Wong  A minha Sala de aula é uma Trincheira, 10 mitos sobre os professores , é um livro que nos trás uma quantidade de ideias feitas  sobre esta classe tão atacada, os professores. Pretendendo contudo desmistificar através de várias histórias reais. Deixando em aberto um espaço de reflexão sobre o papel que cada um de nós deverá ter na Educação!

Segundo a autora Bárbara wong  o livro nasceu num período em que os professores se sentiram muito atacados pela ministra Maria de Lurdes Rodrigues (PS). A medida mais importante desta governante foi a ”organização” da escola. E deu alguns exemplos, os professores têm horas lectivas e não lectivas. As lectivas são as que estão em sala de aula, as não lectivas são as que usam para preparar as aulas, corrigir trabalhos e testes. Ora, o facto de a ministra definir que essas também deveriam ser passadas na escola foi um escândalo. Porquê? Porque essas horas eram para os professores irem às compras, buscar os filhos, ir a consultas, passear, etc. Claro que muitos as utilizariam para trabalhar, mas nem todos o faziam. E hoje ouvimos os professores dizerem que trabalham mais do que antes porque têm de estar todas as horas, lectivas e não lectivas, na escola. Em resumo, as medidas não foram populares para os professores, mas a ministra teve sempre os pais do seu lado porque as medidas foram vistas como boas para os alunos e para a qualidade do ensino.
O livro nasceu dessa polémica "de termos uma classe profissional que se sentiu atacada por uma ministra, pelos pais e, por consequência, pela sociedade. Daí nasceu a ideia dos “mitos” porque há bons e maus professores." Aliás, como em todas as profissões.

Como é "Ser Professor..." nos dias de hoje uma verdadeira aventura ou um tormento?
Há uns anos, havia quem fosse para professor porque queria ter uma vida sossegada. O ideal era ser professor do ensino público porque os do privado trabalhavam mais horas na escola. A carreira permitia uma progressão igual para todos, bastava trabalhar x anos e era garantido que se subia de escalão. A pouco e pouco, tudo foi mudando: tornou-se mais difícil entrar na carreira e progredir. Portanto, os professores estão desmotivados.
Mas não só: os alunos que chegam à escola também mudaram. Com a democratização do ensino, todos são obrigados a estar na escola, a fazer 12 anos de escolaridade (o que não é o mesmo de fazer o 12.º ano). Além disso, eles chegam com ferramentas que os professores não têm e isso também lhes causa alguma insegurança.

Os professores não querem ensinar, os alunos não querem aprender ou a matéria é chata e não é adequada aos dias de hoje?
É um pouco de tudo! Muitos professores estão desmotivados por variadíssimas razões (carreira, cortes nos salários, mau comportamento em sala de aula, programas a mudar constantemente); os alunos querem aprender mas não querem fazê-lo como fizeram os seus pais e os seus avós – as salas de aula continuam organizadas tal e qual como no século XIX. Os alunos querem aprender matérias mais práticas, querem aprender de uma maneira mais divertida, mas isso é difícil quando há tanta matéria para dar. Com a actual crise, os jovens sabem que é importante ter uma boa educação, no entanto, vêem os mais velhos desempregados ou em situações laborais precárias, pessoas com licenciaturas a ganhar o ordenado mínimo e isso fá-los reflectir na questão de se vale mesmo a pena aprender. O que aprender? Que curso escolher? À excepção dos cursos de saúde, todos os outros parecem formar para o desemprego. Portanto, numa sala de aula não é fácil ensinar alunos que não têm perspectivas de futuro, que são tão novos mas já estão desmotivados.

Concordas que os pais podem ser os culpados, pela forma como os filhos tratam os professores?
Os pais são culpados desde o dia em que falam mal de um professor em casa. Ou desde o dia em que corroboram a historia que um filho lhes conta sem ouvir a escola. É bom que os pais tenham consciência de que são manipulados pelos filhos! Todos nós, por mais inteligentes que sejamos, deixamo-nos levar pelos nossos filhos que são os mais inteligentes, os mais bonitos e os melhores do mundo. Como tal, queremos acreditar em tudo o que nos dizem. Por exemplo, o filho chega a casa e diz que a professora ralhou com ele. O nosso comportamento não pode ser o de indignação e revolta para com a professora que ralhou com o nosso menino, mas questioná-lo: “porque ralhou contigo a professora? O que fizeste? Não acredito que a professora tenha ralhado sem razão?” Há pais, conto muitas histórias dessas no livro, que vão à escola tirar satisfações, agredir verbal e fisicamente o professor que fez alguma coisa ao seu filho.
Não estou com isto a dizer que os professores têm sempre razão. Mesmo quando não têm, os pais não devem desautorizá-lo em frente aos filhos. Os pais devem procurar resolver os problemas sem nunca por em causa o professor porque aí os filhos jamais respeitarão aquele docente. Um exemplo: um mau professor de Matemática. Os alunos queixam-se às famílias que o professor não ensina, não consegue concluir um problema no quadro, faz testes com erros. Os pais devem falar com o docente, com o director de turma, com o director da escola até o problema estar resolvido, até o professor ser afastado. Em paralelo, a única coisa que devem dizer aos filhos é que a escola está preocupada e está a resolver o problema, mas nunca devem falar mal do professor.



Os professores não têm autoridade ou os alunos têm autoridade a mais nas salas de aula?
Cada vez acredito mais que os professores não sabem ter autoridade. Por que há professores que os alunos respeitam na sala de aula e outros não? Por que sobre a mesma turma há um grupo de professores que se queixa do comportamento e outro grupo não? São os mesmos alunos, o que os faz respeitar um professor e não respeitar o outro? As crianças e os jovens detectam a léguas um professor que é justo, que é verdadeiro, que gosta daquilo que faz, que está disponível para ensinar, que se preocupa com eles. E esses professores são os que são respeitados.
Os outros que não vestem a camisola, que estão a fazer um frete, que acham que pelo simples facto de serem o único adulto em sala de aula isso lhes dá o direito de serem respeitados estão muito enganados. E o que recebem é o profundo desprezo dos mais novos.
Não é preciso regressarmos aos estrados e às palmatórias para ter autoridade. É preciso que o professor se dê ao respeito.
Mas claro que também há muito trabalho a fazer pelas famílias: os pais têm de ensinar os filhos a respeitarem toda a gente. O que mais me irrita são os pais que se demitem de ser pais, de serem educadores, à espera que sejam os educadores de infância e os professores a educarem. Em casa, é preciso ensinar os filhos a estar sentados à mesa durante toda uma refeição. Isto é meio caminho andado para que o filho saiba estar sentado na sala de aula durante 90 minutos. É preciso ensiná-los a obedecer, a não falar por cima dos outros, a estar sossegado. Se souberem fazer isso tudo em casa, saberão fazê-lo em sala de aula.

Qualquer um vai para professor...esta é uma profissão que é de risco ou está em risco?
“Qualquer um vai para professor” é um mito! Há três ou quatro décadas, qualquer um ia para professor. Era fácil entrar na carreira. Tinhas um curso de Sociologia, ias para professor de História ou de Economia. Tinhas um curso de Engenharia, ias para professor de Matemática. Tudo mudou. Há cursos para ser professor.
É uma profissão de risco quando temos uma sociedade que não respeita a educação. É uma profissão que está em risco porque não são os melhores que a escolhem, até porque não serão bem remunerados, nem terão uma carreira aliciante. Basta ver as notas de admissão ao ensino superior de quem quer ser médico e de quem quer ser professor. Não quer dizer que sejam os piores alunos que querem ser professores, mas são os que não estudaram para ter 18 valores de média final do secundário.




Os professores não querem saber dos alunos ou sentem-se apenas motivados quando estes têm boas notas?
A escola trabalha para a mediania. Ou seja, muitos professores não sabem trabalhar com os bons e excelentes alunos – há pais que se queixam de os seus filhos não estarem a desenvolver todas as suas capacidades; assim como há professores que não sabem trabalhar com os alunos que têm insucesso e os põem de parte. Mas há de tudo! Professores que se sentem motivados com as pequenas vitórias dos alunos mais fracos; outros que desafiam os que têm melhores resultados a voarem mais alto, etc.
A escola continua a pensar que o sucesso é dos que têm 20 nas Ciências Exactas porque para as Humanas nem sequer é preciso estudar, como me dizia há poucas semanas uma professora de Biologia. Errado. Eu acredito que todas as crianças e jovens são bons em alguma coisa: a pintar, a desenhar, a moldar, a jogar à bola, a fazer mortais, a tratar de animais, a cuidar das plantas e é isso que os pais e os professores têm de descobrir e têm de potenciar. Por isso é importante que os meninos façam mais coisas do que ir apenas à escola. É bom que vão para os escuteiros, para a natação, para o judo. Tudo isso os ajuda a ter auto-estima, a pensar: “posso não ser muito bom a matemática, mas ninguém monta uma mesa de campo como eu” ou “posso não ser as figuras de estilo mas não há nenhum nadador mais rápido do que eu!”

Depois do livro A minha sala de aula é uma trincheira, colocarias outros mitos? Quais?
Penso que os mitos ainda não mudaram muito, desde que o livro foi escrito!

A educação vai para melhor ou para pior...os partidos brincam com a educação e fazem dos pais e filhos joguetes, tipo “ratinhos de laboratório”?
A educação nunca vai melhorar enquanto cada ministro que chega querer deixar a sua marca ideológica. Por exemplo, uma das primeiras medidas de Crato foi retirar importância à Educação Física no secundário. A nota desta disciplina deixou de contar para a média do aluno, a não ser que este queira. Com esta medida, Crato revelou parte do seu pensamento sobre educação – que as Ciências Exactas são mais importantes. Ou seja, todos os alunos de 18 e 20 a Matemática que não sabem fazer um pino não serão prejudicados na sua média com uma disciplina que é importantíssima para a nossa saúde física e mental – mente sã em corpo são, diziam os romanos –, mas que como eles não sabem fazer, logo, não é importante. Com esta medida, o ministro revela os seus preconceitos, que os alunos com uma inteligência física são inferiores aos outros. Nas minhas conferências dou sempre o exemplo do Cristiano Ronaldo ou do Michael Phelps: alguém tem dúvidas que eles são inteligentes? E contudo foram péssimos alunos.
A importância que Crato deu à Matemática tem como consequência termos 30% de alunos que não terminam o secundário por causa desta disciplina. Passam a todas, menos a esta. Ficam presos um ano por causa de Matemática. Temos crianças no 3.º ano a dar equações quando os psicólogos dizem que as crianças não têm maturidade, nessa idade, para ideias tao complexas.
Se cada ministro que chega, muda tudo não porque traga estudos e avaliações sobre o que foi feito, mas porque tem uma agenda ideológica sobre o que é a educação, então esta nunca poderá melhorar. Devemos mudar programas e currículos depois de os actuais serem avaliados, depois de se olhar com seriedade para os numeros.

O que podia mudar na escola, na educação e na visão dos professores?
O que podia mudar: a forma como muitos professores olham para a sua profissão. Se se vissem como verdadeiros servidores públicos, se compreendessem realmente como é importante o seu papel no ensino, tudo seria diferente. Teríamos alunos melhores, mais bem preparados, melhores cidadãos. Mais uma vez, reforço que não está tudo nas mãos dos professores, também está nos pais que não dão importância à escola ou então que esperam que esta faça tudo por eles. Também está na sociedade e nos políticos que não valorizam devidamente o ensino e a educação.

Entrevista realizada por Sara Patrão autora do Blog Profissão Mãe
Outubro 2015




                               
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