O corpo parecia o de uma idosa de 80 anos. E o sono? Eu sempre dormi bem.
Mas, claro, depois de ser mãe, tudo mudou. Já estava a dormir melhor, os rapazes estavam crescidos, então, quando a Vivi nasceu, voltei à estaca zero do sono.
Culpei tudo. Acho que até culpei a vacina da Covid. Achei mais ou menos normal, porque dei de mamar durante quatro anos. Só podia ser isso.
Mas a amamentação acabou. E os sintomas continuaram.
O stress piorou 120%. Eu culpava a mudança do campo para a cidade. Culpava a vida. Culpava o cansaço. Culpava-me, provavelmente, mais do que devia.
Até ao dia em que, numa consulta, esqueci-me do nome da minha filha.
"Vivi", murmurei eu.
"Sim, mas o nome completo, minha senhora."
"Viviane..."
E parei.
O meu filho do meio teve de completar o resto.
Foi aí que decidi ir a um neurologista e a uma endocrinologista. Fiz exames.
Vieram as palavras: princípio de burnout e perimenopausa.
E eu ri-me.
Burnout? Mas quem trabalha a partir de casa tem burnout?
"Pode ter na mesma", disse-me a médica.
E perimenopausa? Que raio era isso? Eu só conhecia a menopausa. E ainda era demasiado nova, achava eu.
À minha volta, o mundo dizia:
"Ah, isso é normal.", "É da idade."
Normal, o c@ralho. Só se for para vocês. Pensei eu...
Quando finalmente amadureci a raiva e comecei a procurar informação a sério, apareceu este livro: A Mãe Está a Arder, de Mikaela Övén.
Li-o num dia.
Ri-me, chorei e revi-me demasiado no que ela escreveu. Não foi só um livro sobre hormonas.
Foi um espelho. E, por uma vez, o espelho não me chamou exagerada. Chamou-me, mulher.
Review do livro "A Mãe Está a Arder"
Existem livros que chegam mesmo na hora certa. Isso acontece muito comigo!
A Mãe Está a Arder fala da perimenopausa e da menopausa sem aquela linguagem clínica fria nem aquele tom de "aceita e cala-te". É extremamente directo, humano e muito necessário.
Neste livro, a Mikaela Övén pega numa fase que ainda é tratada como um pequeno rodapé na vida das mulheres e põe-lhe um nome! O livro misturaalguma informação, validação e sobrevivência emocional. Não é só sobre afrontamentos ou alterações hormonais; é sobre identidade, irritabilidade, cansaço, culpa, maternidade, relações e a sensação estranha de já não cabermos na versão antiga de nós mesmas.
É um livro para ler com um chá gelado ao lado, um marcador na mão e o leque do outro lado.
Porque às vezes a mãe não está apenas cansada.
Está mesmo a arder.
Vale a pena ler?
Se tens mais de 40 anos e sentes que o teu corpo mudou, que a tua memória te prega partidas, que dormes mal, que andas irritada sem perceber porquê ou que toda a gente te responde "é normal", então este livro pode ser um excelente ponto de partida.
Não substitui médicos nem tratamentos.
Mas ajuda numa coisa igualmente importante: perceberes que não estás sozinha.
E, por vezes, isso já é meio caminho andado nesta vida!

Comments
Desabafe o que lhe vai na Alma!