Livro A Mãe Está a Arder. E eu quase incendiei a cozinha. | Profissão Mãe

19 de junho de 2026



Tudo começou no dia em que quase incendiei a cozinha. A Vivi era pequenita. Os rapazes e o Rui estavam no primeiro andar. Eu tinha ido lá acima fazer qualquer coisa rápida. Quando voltei ao rés-do-chão, tinha o tacho da sopa em labaredas. Tinha-me esquecido. Puro e simplesmente. Do tacho. Da sopa. Do lume. Eu tinha uns 43 anos. Depois disso começaram as primeiras falhas de memória.
O corpo parecia o de uma idosa de 80 anos. E o sono? Eu sempre dormi bem.
Mas, claro, depois de ser mãe, tudo mudou. Já estava a dormir melhor, os rapazes estavam crescidos, então, quando a Vivi nasceu, voltei à estaca zero do sono.

Culpei tudo. Acho que até culpei a vacina da Covid. Achei mais ou menos normal, porque dei de mamar durante quatro anos. Só podia ser isso.
Mas a amamentação acabou. E os sintomas continuaram.
O stress piorou 120%. Eu culpava a mudança do campo para a cidade. Culpava a vida. Culpava o cansaço. Culpava-me, provavelmente, mais do que devia.

Até ao dia em que, numa consulta, esqueci-me do nome da minha filha.

"Vivi", murmurei eu.

"Sim, mas o nome completo, minha senhora."

"Viviane..."

E parei.

O meu filho do meio teve de completar o resto.

Foi aí que decidi ir a um neurologista e a uma endocrinologista. Fiz exames.
Vieram as palavras: princípio de burnout e perimenopausa.

E eu ri-me.

Burnout? Mas quem trabalha a partir de casa tem burnout?

"Pode ter na mesma", disse-me a médica.

E perimenopausa? Que raio era isso? Eu só conhecia a menopausa. E ainda era demasiado nova, achava eu.

À minha volta, o mundo dizia:

"Ah, isso é normal.", "É da idade."

Normal, o c@ralho. Só se for para vocês. Pensei eu...

Quando finalmente amadureci a raiva e comecei a procurar informação a sério, apareceu este livro: A Mãe Está a Arder, de Mikaela Övén.

Li-o num dia.

Ri-me, chorei e revi-me demasiado no que ela escreveu. Não foi só um livro sobre hormonas.
Foi um espelho. E, por uma vez, o espelho não me chamou exagerada. Chamou-me, mulher.

Review do livro "A Mãe Está a Arder"

Existem livros que chegam mesmo na hora certa. Isso acontece muito comigo!

A Mãe Está a Arder fala da perimenopausa e da menopausa sem aquela linguagem clínica fria nem aquele tom de "aceita e cala-te". É extremamente directo, humano e muito necessário.
Neste livro, a Mikaela Övén pega numa fase que ainda é tratada como um pequeno rodapé na vida das mulheres e põe-lhe um nome! O livro misturaalguma informação, validação e sobrevivência emocional. Não é só sobre afrontamentos ou alterações hormonais; é sobre identidade, irritabilidade, cansaço, culpa, maternidade, relações e a sensação estranha de já não cabermos na versão antiga de nós mesmas.
É um livro para ler com um chá gelado ao lado, um marcador na mão e o leque do outro lado.
Porque às vezes a mãe não está apenas cansada.

Está mesmo a arder.

Vale a pena ler?

Se tens mais de 40 anos e sentes que o teu corpo mudou, que a tua memória te prega partidas, que dormes mal, que andas irritada sem perceber porquê ou que toda a gente te responde "é normal", então este livro pode ser um excelente ponto de partida.

Não substitui médicos nem tratamentos.

Mas ajuda numa coisa igualmente importante: perceberes que não estás sozinha.
E, por vezes, isso já é meio caminho andado nesta vida!


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