Não corrigiram metade do meu exame. Mas lixaram o rumo da minha vida académica!
Também eu, no meu tempo, fui prejudicada num exame nacional.
No exame de alemão do 12.º ano, não corrigiram a minha composição, precisamente a parte que valia metade da prova.
Não foi uma resposta que foi mal avaliada, nem uma nota com a qual eu não concordava.
Não corrigiram metade do exame.
Por causa de um erro que não era meu, fui obrigada a concorrer à segunda fase e não consegui entrar numa faculdade pública.
Isso condicionou toda a minha vida académica.
Este erro nunca foi verdadeiramente assumido. Não houve uma solução que reparasse o prejuízo. Não houve um pedido de desculpas. Nada. Zero. Niente.
Além de estudarem, fazerem exames, preocuparem-se com as médias e com a entrada na faculdade, os alunos ainda têm de estar preparados para detectar erros humanos completamente alheios a eles. E depois têm de estudar regulamentos, cumprir prazos, pedir reapreciações, pagar e provar que o sistema falhou.
Como se já não bastasse a pressão.
Quando o erro é do sistema, a solução não pode ser castigar novamente o aluno. Deve assumir-se a responsabilidade e garantir que ele não perde a oportunidade de concorrer na fase a que teria direito.
Hoje, tudo se repete. Pior é com mais gente.
Mas está tudo bem. Encolhem-se os ombros. Alguns ainda dizem que esta geração é muito sensível, muito protegida, uma geração de coitadinhos.
Não, pessoas.
Os erros têm de ser assumidos. E não podem destruir ou condicionar o percurso académico de um aluno, já por si tão frágil e desigual.


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