Perseidas e eclipse solar de 12 de agosto de 2026: quando e como ver em Portugal
No dia 12 de agosto de 2026, o céu vai ter um espetáculo duplo gratuito!
Primeiro teremos um eclipse solar ao fim da tarde, que podes ver se tiveres os óculos especiais!
Depois, já durante a noite e madrugada, chegam as Perseidas, uma das chuvas de meteoros mais conhecidas do ano. Estas podes ver a olho nu, mas, de preferência, fora das grandes cidades, em zonas escuras!
O programa do céu para 12 de Agosto
Os horários variam ligeiramente conforme o local de Portugal onde estiveres, mas este é o plano geral:
| Hora aproximada | O que acontece |
|---|---|
| A partir das 18h30 | Começa o eclipse solar parcial na maior parte do país. |
| Cerca das 19h30–19h40 | O eclipse aproxima-se do máximo. |
| Depois de anoitecer, | Já será possível começar a procurar Perseidas. |
| Entre a meia-noite e o amanhecer, | Melhor período para observar a chuva de meteoros. |
Em Lisboa, por exemplo, o eclipse começa às 18h39, atinge o máximo às 19h36 e termina às 20h29. Noutras zonas, os horários mudam alguns minutos, por isso convém confirmar os dados da tua localidade.
Afinal, o que são as Perseidas?
Todos os anos, a Terra atravessa uma zona com poeiras e pequenos fragmentos deixados pelo cometa 109P/Swift–Tuttle. Quando essas partículas entram na nossa atmosfera a cerca de 59 quilómetros por segundo, aquecem e produzem os rastos luminosos a que chamamos meteoros ou, mais poeticamente, estrelas cadentes.
Chamam-se Perseidas porque os meteoros parecem partir de uma zona do céu próxima da constelação de Perseu. É apenas um efeito de perspectiva: podem aparecer em praticamente qualquer ponto do céu, por isso não precisas de passar a noite com o pescoço torcido à procura de Perseu.
Porque é que as Perseidas de 2026 prometem ser especiais?
O pico acontece na noite de 12 para 13 de Agosto, precisamente durante a Lua Nova. Sem luar a apagar os meteoros mais discretos, as condições naturais serão muito boas desde que as nuvens e a iluminação pública não decidam estragar a festa.
É possível encontrares promessas de “até 100 meteoros por hora”. Esse número é uma taxa horária zenital, calculada para condições quase perfeitas: céu muito escuro, horizonte aberto, radiante bem alto e olhos treinados.
Numa zona rural, contar 30 a 50 meteoros numa hora já será uma previsão mais realista e um belíssimo espetáculo. Numa cidade iluminada, serão menos.
E não precisas de desistir se não puderes observar precisamente nessa noite. As Perseidas estão activas até 24 de agosto, embora a actividade seja maior perto do pico.
A melhor hora para ver as Perseidas em Portugal
Podes começar a procurar meteoros depois de escurecer, sensivelmente a partir das 22h30 ou 23h00.
No entanto, as melhores hipóteses chegam depois da meia-noite e aumentam até ao amanhecer, quando a constelação de Perseu está mais alta.
Quem estiver com crianças pequenas pode fazer uma primeira tentativa antes da meia-noite. Talvez não veja tantos meteoros; para os mais rabujas, é esperar pela noite adentro!
Como podes observar?
Para ver as Perseidas, não precisas de telescópio nem de binóculos. Aliás, como os meteoros podem surgir em qualquer ponto, quanto maior for a área de céu que conseguires ver, melhor.
Leva:
uma manta, colchão ou cadeira reclinável;
uma camisola, porque, mesmo em agosto, a madrugada pode arrefecer; (sim, sou chata, no final vais agradecer-me).
água e qualquer coisa para petiscar;
repelente, se os mosquitos locais também tiverem organizado um festival;
paciência.
Procura um lugar escuro, afastado de candeeiros, com uma vista ampla do céu e onde seja seguro permanecer de noite. Nada de bermas de estrada, falésias ou terrenos onde não sabes onde estás a pôr os pés.
Desliga ou reduz ao mínimo o telemóvel e dá aos olhos cerca de 20 a 30 minutos para se adaptarem à escuridão.
Depois, olha para cima. É só isso. Ah, e sim, também podes pedir um desejo.
Um nome antigo: as Lágrimas de São Lourenço
Em vários países mediterrânicos, as Perseidas também ficaram conhecidas como Lágrimas de São Lourenço, por aparecerem junto à data dedicada ao santo, a 10 de agosto. A tradição associou os rastos luminosos às lágrimas ou às faíscas do seu martírio. (Aproveita esta pequena explicação religiosa, porque estou muito generosa hoje)
Antes de continuares: escreve “Perseidas” no Google
Vai ao Google, pesquisa Perseidas e repara no que acontece.
Não vou estragar a pequena surpresa.
Depois volta, que ainda precisamos falar do eclipse e dos teus olhos.
E o eclipse solar?
O eclipse será total apenas numa faixa muito pequena do extremo nordeste de Portugal, junto a Rio de Onor e Guadramil, no Parque Natural de Montesinho.
No resto de Portugal Continental será parcial, embora a Lua chegue a esconder entre cerca de 92% e quase 100% do Sol. Em Abrantes, como na esmagadora maioria do país, deve ser tratado como parcial durante todo o fenómeno.
E agora o aviso técnico, delicado e maternal:
Se não tens óculos próprios para eclipses, não faças merda.
A brincadeira pode sair-te muito cara.
Óculos de sol normais não servem. Vidro fumado não serve. Radiografias não servem. Olhar através da câmara do telemóvel também não transforma uma má ideia numa boa ideia.
Para olhar directamente para o eclipse são necessários óculos ou visores solares conformes à norma ISO 12312-2, sem riscos, furos ou danos.
Em qualquer local onde o eclipse seja parcial incluindo Abrantes, o filtro mantém-se colocado durante todo o tempo.
Binóculos, cameras e telescópios exigem filtros solares próprios montados à frente do equipamento.
Os óculos de eclipse, sozinhos, não protegem os olhos quando se olha através de lentes de ampliação.
Não tens protecção adequada? Vê uma transmissão em directo, participa numa observação organizada ou usa um método de projecção indirecta.
O eclipse é raro. A tua retina também é, e, ao contrário do eclipse, não há reposição marcada para o próximo século.
E se eu acreditar em esoterismo?
Então aproveita e faz um ritual. Porque não?
Não é preciso fingir que a NASA confirmou portais energéticos para reconhecer que os seres humanos sempre deram significado aos momentos raros do céu.
Um eclipse pode simbolizar pausa, sombra e mudança; uma chuva de meteoros pode simbolizar movimento, libertação e desejos. O ritual vale pelo significado que lhe dás.
Podes fazer uma coisa muito simples, já de noite:
Escreve num papel uma coisa que queres deixar para trás.
Escreve noutro uma intenção que queres levar contigo.
Quando vires uma estrela cadente, rasga o primeiro papel.
Guarda o segundo dentro de um livro ou do teu diário até ao próximo agosto.
Fontes consultadas
International Meteor Organization — calendário de meteoros de 2026
Crédito: Fotografia original de Nikhil Mitra/Unsplash.
Profissão Mãe
a virar frangos na net desde 94.
Ainda estou aqui.
Apesar do algoritmo.
A escrever sobre tudo o que gosto maternidade, cultura, livros, música, filmes, história, arte, internet e tudo aquilo que me incomoda o suficiente para não ficar calada.
Sou uma chata, não é? Temos pena! (Não temos nada!)

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