A Terra Treme: os nossos filhos treinam na escola como se protegerem de um sismo (5 de Novembro) | Profissão Mãe

5 de novembro de 2026

 

Criança debaixo de uma mesa a treinar o exercício A Terra Treme


Hoje, 5 de novembro, às 11h05, há um minuto para parar e treinar uma coisa que nenhum de nós quer precisar de fazer: proteger-nos durante um sismo.

Chama-se A Terra Treme, é o exercício nacional promovido pela Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) e a proposta é simples: três gestos. Baixar, proteger e aguardar.

Participa-se em casa, na escola ou no trabalho. É gratuito. O registo no site é facultativo.

Confissão: sou uma prepper (parece assim uma coisa estilo Walking Dead não é)?

Pronto, já disse.

Desde que vim viver para o campo, há cerca de 20 anos, que me preparo. Para cortes de luz. Para estradas cortadas. Para o inverno que decide ser mau. Para o "e se".

E sim, ouço o revirar de olhos daí. Mas repara: o prepper de que falo não é o do bunker e do tacho de feijão para 40 anos. (Quer dizer, tenho alguns mantimentos guardados.)
Mas neste momento é o  ter água, lanterna, medicação e um plano. 

Mas também vou ser honesta, desde que me mudei para uma cidade do interior, desleixei-me um bocado no geral. A vida é cómoda, as lojas estão ao virar da esquina, apareceram 300 problemas e o cérebro pode ter ficado um bocadinho dormente. Por isso este exercício também é um sermão para mim. Fica o aviso: vou falar mais sobre isto aqui no blog.

E já agora, a ressalva: não estou preparada para tudo. Um cenário nuclear, por exemplo, está acima das minhas possibilidades (infelizmente). Penso nisso mais do que seria saudável, mas não finjo que tenho resposta para tudo. Preparar-me para o que é realista já é meio caminho andado.

Eles treinam na escola. E cá em casa?

Se a terra tremesse agora, saberias onde te proteger? Aquela estante está presa à parede? Tens uma lanterna num sítio onde a encontras às escuras? Tens um apito e água perto de ti?


O que fazer num sismo: baixar, proteger, aguardar.

Durante o exercício, praticam-se estes três gestos:

  • Baixar: baixa-te sobre os joelhos, para evitar uma queda.
  • Proteger: protege a cabeça e o pescoço com os braços, de preferência debaixo de uma mesa resistente.
  • Aguardar: mantém-te protegido até o abalo terminar.

O minuto é a duração do treino. Num sismo real, ficas protegido enquanto a terra estiver a abanar.

Dentro de um edifício, as recomendações incluem:

  • afastar-te de janelas, espelhos e objetos que possam cair
  • não correr para as saídas ou escadas
  • não usar elevadores

    A discussão cá em casa é mais uns querem ir para a rua, outros ficar em casa!
    Consegues ter algumas coisas que vais necessitar perto de ti?

Depois do abalo, podem haver réplicas. Seguem as indicações das autoridades.

Como falar de sismos com crianças sem as assustar?

Eu começaria por uma comparação que eles conhecem: usamos o cinto de segurança mesmo quando esperamos uma viagem tranquila. Também treinamos o que fazer num sismo para sabermos proteger-nos.

Podes dizer:

"Às vezes, a terra abana. Vamos aprender onde nos podemos proteger e treinar três gestos. Hoje é só um exercício."

Sem transformar a sala num cenário de catástrofe. Sem imagens assustadoras. Escolham juntos uma mesa resistente, olhem à volta, neste caso é ensair com calma.

No fim, pergunta: "Foi difícil proteger a cabeça? Ficou alguma dúvida? Como fizeram na escola?"

Se aparecer medo, ouve. Nada de "não sejas medricas". E também não prometas que nunca vai acontecer, porque não sabes. Explica o que estás a fazer para te preparares. Foi assim que eu aprendi, e é assim que os meus três aprenderam.

Plano familiar e kit de emergência: por onde começar

O exercício pode ser o empurrão para tratar das coisas que ficam eternamente no "um dia destes".

A Proteção Civil recomenda:

  • preparar um plano familiar de emergência (tenho)
  • combinar um local de encontro caso a família se separe (ainda hoje discuti sobre isso, não temos)
  • manter passagens desimpedidas; (existe sempre qualquer coisa no caminho)
  • fixar estantes e pôr os objetos mais pesados nas prateleiras de baixo (acho que vou levar com muitos livros na cabeça)

Recomenda também organizar um kit de emergência com:

  • água e alimentos para dois ou três dias
  • lanterna e rádio (a manivela, um deles)
  • primeiros socorros e medicação habitual (esta é muito importante)
  • contactos importantes
  • bateria extra para o telemóvel
  • água e comida para os animais, se os tiveres (faz sentido)

E conhecer os procedimentos da escola, e as necessidades de cada pessoa da família: quem precisa de ajuda para se deslocar, de medicação ou de instruções adaptadas.

Não tens de resolver tudo esta semana. Começa por uma coisa concreta. Uma. Prender a estante. Escrever os números importantes num papel (sim, papel, porque os telemóveis morrem).

Eu, por exemplo, ando sempre com um mini kit de sobrevivência na mala. Vou contar tudo no próximo post.

Hoje, às 11h05

Se os miúdos estiverem na escola, treina onde estiveres e conversa com eles depois. Para explorar o tema em família, a iniciativa tem um site infantil.

Baixar. Proteger. Aguardar.

Mais informações e registo no site oficial A Terra Treme.

Perguntas frequentes sobre A Terra Treme

O que é o exercício A Terra Treme? É um exercício nacional, promovido pela ANEPC, em que se treina o que fazer durante um sismo: baixar, proteger e aguardar.

Quando e a que horas é? Dia 5 de novembro, às 11h05.

Quem pode participar? Qualquer pessoa, em casa, na escola ou no trabalho. A participação é gratuita e o registo no site é facultativo.

O que devo fazer durante um sismo dentro de casa? Baixar-te, proteger a cabeça e o pescoço com os braços, de preferência debaixo de uma mesa resistente, afastar-te de janelas e espelhos, e esperar que o abalo termine. Não corras para as escadas e não uses elevadores.


E aí em casa: os miúdos já vos explicaram o que fazer durante um sismo? E vocês já treinaram com eles? Contem nos comentários!


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a virar frangos na net desde 94.

Ainda estou aqui.
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Sou uma chata, não é? Temos pena! (Não temos nada!)

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